A minha aventura com o tingimento começou em 2010. Os primeiros novelos nasceram de uma simples brincadeira: queria oferecer às mulheres da minha família uma prenda de Natal diferente, por isso decidi pintar algumas meadas à mão. O que começou como uma experiência cheia de curiosidade depressa se transformou numa paixão pela cor, pela fibra e por todo o processo criativo que existe por detrás de cada novelo.
Continuei a experimentar, a estudar vários processos, a testar novas combinações e a aperfeiçoar as técnicas. O que começou como uma simples ideia de presentes personalizados foi evoluindo acabando por dar origem à Dyed by Alfinete.


Desde o início, o objetivo foi sempre o mesmo: criar fios tingidos artesanalmente, com uma identidade própria. As meadas são tingidas por mim, em pequenos lotes, respeitando o tempo que um processo artesanal exige. Não existe uma linha de produção, nem máquinas a substituir as mãos. Existe apenas uma pessoa, duas panelas, muita dedicação e a vontade de criar fios que inspirem novos projetos.
O meu atelier é também a cozinha onde a minha família partilha as refeições de todos os dias. Foi também por isso que escolhi trabalhar com corantes alimentares. Acredito que aquilo que usamos junto à pele deve ser tão seguro quanto possível e procuro, sempre que posso, substituir produtos químicos por alternativas mais naturais e conscientes, tanto no meu trabalho como no dia a dia.
As cores que escolho também contam um pouco da minha história. Sou ribatejana e cresci rodeada de verdes; os castanheiros e os carvalhos continuam a fazer-me falta. Hoje vivo no Algarve, onde a luz das salinas e o céu transformam constantemente a forma como vemos as cores. É entre estas duas paisagens que encontro inspiração para muitos dos meus tingimentos.
A sustentabilidade não é um detalhe, faz parte da forma como vivo e, naturalmente como trabalho. Reutilizo a água do processo de tingimento sempre que possível e aproveito o sol para secar os fios durante grande parte do ano, tirando partido do clima algarvio. Também as embalagens refletem esta filosofia: são simples, sem excessos nem embrulhos desnecessários, porque prefiro reduzir o desperdício em vez de criar algo bonito apenas para ser descartado poucos minutos depois.
Ao longo deste percurso, participei em várias feiras e festivais dedicados ao tricô e ao artesanato, em Portugal e em Espanha. Para mim, estes eventos são muito mais do que uma oportunidade para mostrar o meu trabalho. São momentos de encontro, de partilha e de aprendizagem, onde fico sempre entusiasmada com a troca de experiências e afinidades que encontro juntos dos meus colegas tintureiros, onde estamos todos unidos pela mesma paixão pelas fibras e cores . Cada encontro inspira-me e motiva-me a continuar a criar novas coleções.

Em 2024 senti que era altura de fazer uma pausa. Precisava de descansar, aprender coisas novas e refletir sobre o próximo passo. Hoje regresso ao tingimento com a mesma paixão de sempre, mas com um olhar renovado.
Acredito que criar pode ser um ato de cuidado: pelas pessoas, pelos materiais e pelo planeta. Cada novelo nasce devagar, com respeito pelo processo e com a esperança de fazer parte de uma peça que será estimada durante muitos anos e que, por sua vez, venha também a contar muitas histórias.

